sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

21 anos de ocupação. 16 anos de “SQUATT 13 DE JANEIRO”

São dezesseis anos consecutivos de invasão, ocupação e fundação do Centro de Cultura Anarquista Squatt 13 de janeiro.


 A primeira fase de invasão teve início em 2003 juntamente com indivíduos ligados a “Regional Ativista de Curitiba” e do coletivo “Esforços da Mudança”(veganStraightEdgePunk) na época ligado a “Casa da ponte”. 

 Indivíduos desses dois coletivos participaram do primeiro fórum social mundial em Porto Alegre e estiveram presentes na fundação do movimento passe livre, no mesmo ano.

 A fundação do centro de cultura se deu no sábado, 13 de janeiro de 2007. Participaram desse momento três garotas e dois garotos. A partir desse ato foi experienciado inúmeras formas de se organizar independentemente e permitindo ampla liberdade coletiva e individual dos participantes. A ocupação gerou nascimento do GEAC ( grupo de estudos anarquista de Curitiba), ELA( estudos pela libertação animal),  CLATH(coletivo libertação animal da terra e humana), GERAE (grupo de experimento rural e agroecológico), NAC (núcleo anarquista de Curitiba), FAAF( frente de ação anarcafeminista) e Biblioteca Maria Lacerda de Moura. Essa última ainda presente. Abrigou CMI-Curitiba bem como foi sede do MPL-Curitiba.

 A partir de 2007 até meados de 2018 o porão abrigou ensaios de bandas e teatros, cinema, encontros e debates. Foi palco de shows locais, nacionais e internacionais. O espaço foi gerido coletivamente por distintos grupos e indivíduos em diferentes épocas. 

 A casa foi invadida e ocupada numa época que o bairro em Curitiba estava abandonado e sem vida. Hoje em dia exatamente na quadra onde está a J13, é o local com mais intensa movimentação de bares e casas noturnas. São recorrentes as ameaças pela especulação imobiliária devido ao fato da revitalização que sofre o bairro e valorização do metro quadrado da região. Mesmo assim resistimos ilegalmente com nosso acervo anarquista e mantemos os mesmos princípios Anarco Punk Vegan Straight Edge. 

“ Só caminha para a emancipação quem se coloca fora da lei, fora dos prejuízos, dos dogmas, dos preconceitos religiosos e sociais- para se conhecer-se, para realizar-se”

 -Maria Lacerda de Moura


sábado, 13 de fevereiro de 2016

Squatt 13 de Janeiro "Nono ano de resistência sem hipocrisia"


Aos nove anos de resistência, a squatt 13 de janeiro é a casa de inumeras iniciativas independentes. Desde espaço para grupos se reunirem e organizarem suas táticas até individuos em busca de material libertario fomentando autodidatismo.
A cozinha da casa serve comida sem açucar vegana sempre que as atividades acontecem. Muitas bandas tem conseguido se formar e registrar seu material nos poroes da casa. Outros grupos produzido fanzines sobre a cena hardcore-punk local.
A postura straight edge anarcopunk gestora do espaço longe de atrapalhar as relaçoes entre as pessoas, tem somado com muitas pessoas frequentadoras da squatt que intuitivamente compreendem o controle exercido pelo Estado e narcotráfico devoradora de vidas.

Parabéns ao SQUATT 13 DE JANEIRO

Curitiba, 13 de fevereiro, 2016

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Reconhecimento da raíz Anarquista

‘Santa Bárbara de Cima’ passaria a se chamar apenas ‘Santa Bárbara’ e o local hoje chamado ‘Santa Bárbara de Baixo’ passaria a se chamar ‘Colônia Cecília’

 
O projeto de lei de autoria do Executivo que pretende mudar o nome da localidade de Santa Barbara de Baixo para Colônia Cecilia, no interior de Palmeira, deve ser protocolado na Câmara ainda no mês de setembro. A alteração do nome foi discutida com a comunidade em uma reunião entre a equipe da Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo e os moradores do local. De acordo com a proposta, “Santa Bárbara de Cima” passaria a se chamar apenas “Santa Bárbara” e o local atualmente denominado “Santa Bárbara de Baixo” passaria a se chamar “Colônia Cecília”.
A experiência da comuna anarquista, idealizada por Giovani Rossi em 1890 não aconteceu exatamente na localidade de Santa Barbara de Baixo, como pontua Vera Lucia de Oliveira Mayer, historiadora e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Palmeira, porém, é o local onde mais se aproxima da extinta Colônia Cecília e que hoje conglomera o maior número dos descendentes da experiência anárquica. “Também em Santa Barbara de Baixo que foi construído o Memorial Anarquista, que visto de cima, tem o formato de um “A”, símbolo mundial do anarquismo, e em seu entorno, oito totens resumem a trajetória dos três anos da Colônia antes de sua extinção”, explicou.
De acordo com o diretor de indústria, comércio e turismo, Alessandro Lima da Silva, a intenção é transformar o local em um polo de visitação a exemplo de Witmarsum. Além de valorizar a história da única comuna experimental baseada em premissas anarquistas de toda a América Latina, a mudança do nome deve resultar em uma maior procura por parte dos grupos de turistas, pesquisadores e excursionistas. Segundo Alessandro, paralelamente a mudança do nome, vários investimentos na infraestrutura da Colônia serão efetuados, adequando o trade turístico e apostando na localidade como um grande centro de visitação e pesquisa. “Atualmente, quando somos contatados por agências de turismo ou por escolas que pretendem visitar o local, acabamos frustrando estes interessados quando falamos que, na prática, não existe uma localidade em Palmeira chamada “Colônia Cecília” o que chega a levar alguns turistas a desistirem de visitar a Cidade”, disse ele.
A Prefeitura pretende ainda reavivar o ‘Caminhos da Cecilia’, rota turística criada em 2003 e hoje parcialmente desativada, que começa na Colônia Santa Quitéria, passando por Santa Barbara de Cima, na colônia polonesa, também por Santa Barbara de Baixo, (Colônia Cecilia) de colonização Italiana e finalizando no Comunidade de Canta Galo. Para o escritor Arnoldo Monteiro Bach, proprietário do Museu Sítio Minguinho, ponto de visitação contemplado na rota, a mudança do nome certamente agregaria, pois, a Colônia de Santa Barbara de Baixo passou a ser o núcleo mais representativo da imigração italiana e dos descendentes anarquistas, porém, Arnoldo alerta que é necessário um pouco de cuidado, pois é um fato histórico de relevância mundial, e o turista e até mesmo o palmeirense deve saber que não foi lá que aconteceu a experiência. “Essa é uma decisão que cabe a comunidade, hoje o local abriga o memorial, os descendentes, agora há de se pensar a questão do local”, pontuou.
Além do Sítio Minguinho, outros vinte empreendimentos rurais podem ser beneficiados, entre eles, produtores de derivados de uva, cafés coloniais e comunidade que pretende abrir suas casas ainda em estilo colonial para visitação, fortalecendo o turismo rural, agregando renda as propriedades e aos produtos produzidos pela comunidade.
Melhorias na Colônia
Santa Bárbara está prestes a passar por mudanças significativas de infraestrutura. O objetivo é oferecer banheiros públicos e sinalização turística para os visitantes – e através de parceria com as secretarias de meio ambiente e de agricultura e pecuária,  hortênsias serão plantadas nos dois lados da estrada, dando mais cor e vida nos 30 quilômetros da via, consolidando de vez o “Caminhos da Cecília”, nome oficial da rota. O início do plantio das flores está previsto já para setembro.
Através da Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo, a Prefeitura de Palmeira já construiu na localidade um memorial da Colônia Cecília, que foi a única experiência anarquista realizada na América Latina. Com a construção do memorial houve um aumento no número de visitantes na região, que já iam até a localidade para comprar produtos como vinhos, geleias e compotas.

Colônia Cecília recebe memorial anarquista



Após 122 anos da extinção da Colônia, localizada em Santa Bárbara no interior de Palmeira, o local ganhou um memorial para lembrar o italiano Giovanni Rossi
Formada por um grupo de libertários mobilizados pelo jornalista e agrônomo italiano,
Giovanni Rossi, a Colônia Cecília foi a única comuna experimental baseada em premissas anarquistas de toda a América Latina. Após 122 anos da extinção da Colônia, localizada em Santa Bárbara no interior de Palmeira, o local ganhou um memorial para lembrar onde Rossi e seus companheiros ergueram a bandeira rubro e negra, símbolo mundial do anarquismo. “Nosso propósito não é a experimentação utopística de um ideal, mas o estudo experimental – e o quanto possível rigorosamente científico – das atitudes humanas em relação a um determinado problema,” dizia Rossi, idealizador da experiência.
Visto de cima, o memorial tem formato de um “A” símbolo mundial do anarquismo e em seu entorno oito totens resumem através de mosaicos a trajetória dos três anos da Colônia antes de sua extinção. O local também abriga uma pequena casa construída em madeira, reconstituindo os padrões da época, onde serão vendidos livros e suvenires após sua inauguração. Segundo Jaudeth Ramos Hajar, Secretário de Indústria, Comércio e Turismo, a obra já está concluída, porem sua inauguração só acontecerá dentro de dois meses. “Pretendemos inaugurar o memorial em abril para coincidir com o aniversário do município e a semana da Colônia Cecília, instituída por lei municipal,” esclareceu o secretário.
São inúmeros turistas e pesquisadores que chegam a Palmeira para saber e conhecer mais sobre o anarquismo. Evaldo Agottani, descendente de italianos anarquistas e produtor de vinho, acredita que a visitação no local e o aumento no fluxo de visitantes contribua para aquecer o turismo rural na região e a venda de seus produtos feitos com a uva, manejo herdado dos ancestrais.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

[Curdistão] De Tuzluçayır para Kobane: entrevista com um combatente anarquista


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O artigo a seguir é uma entrevista com um anarquista ambientalista e vegetariano da Turquia, que é membro da Sosyal isyan (Insurreição Social), e que luta fazendo parte da Birleşik Özgürlük Güçleri (Forças Unidas da Liberdade) lado a lado com as YPG (Unidades de Defesa do Povo) e YPJ (Unidades de Defesa das Mulheres) em Kobane, Rojava. A entrevista foi conduzida por H. Burak Öz e apareceu originalmente no site jiyan.org. Nós gostaríamos de agradecer o camarada Ece Eldem por traduzir a entrevista para o inglês.
Estamos na sede das Forças Unidas da Liberdade (Birleşik Özgürlük Güçleri) em Kobane. Peço um cigarro de um combatente afim de conhecê-lo e conversar com ele. Enquanto me oferece o fumo, pergunto quantos grupos formam as Forças Unidas da Liberdade. Ele diz que, esta força consiste em salvacionistas (Kurtuluşçular), MLSPB, TDP  e anarquistas, indicando que ele também é um anarquista.
Pergunta > Qual é o objetivo de lutar aqui para os anarquistas?
Resposta < Sou um dos fundadores da organização Insurreição Social e também um porta-voz. Quando os ataques do ISIS começaram em Kobane, em nome da solidariedade internacional, sem pensar duas vezes, idealizamos construir uma defesa como Brigadas Internacionais, algo muito próximo do que ocorreu durante a Guerra Civil Espanhola.
Pergunta > As Forças Unidas da Liberdade foram formadas por diferentes frações socialistas da Turquia. Sendo anarquista, como você se envolveu com esta estrutura?
Resposta < As Forças Unidas da Liberdade foram fundadas quando nós chegamos. Realizamos uma chamada para anarquistas e ecologistas.
Pergunta > Existem outros combatentes anarquistas que vieram de outros países além da Turquia?
Resposta < Camaradas vieram da Itália e da Espanha. Também há um anarquista argentino que luta no YPG.
Pergunta > Quando a Insurreição Social foi fundada?
Resposta < Insurreição Social foi fundada em 2013 nos acampamentos de resistência em Tuzluçayır (Distrito de Istambul, Turquia).
Pergunta > Por que você preferiu uma bandeira verde e negra?
Resposta < Tanto pela memória dos camponeses makhnovistas quanto pelo fato de sermos ecologistas.
Pergunta > Que tipo de estrutura tem a Insurreição Social?
Resposta < Nós defendemos a Guerra de classes e rejeitamos o anarquismo neoliberal. Temos o anarquismo clássico como maior referência, camaradas que reivindicam Makhno e Proudhon. No geral, temos uma concepção plataformista. Podemos descrever a Insurreição Social da seguinte forma: não tomamos Bakunin, Proudhon, Luigi, Galleani, Malatesta etc. ao pé da letra. Examinamos cada anarquista e adicionamos nossas próprias reflexões, concluindo o que construímos sendo Insurrecionários Sociais.
Pergunta > Quando você entrou para a luta armada?
Resposta < Nós defendemos a luta armada desde a fundação da nossa organização. Nós fomos influenciados mais especificamente pela perspectiva do anarquista insurrecionário Alfredo M. Bonanno. Fundamos nossa própria teoria insurrecionária. Acreditamos que a revolução terá início com a luta armada. Primeiro, de 3 a 5 ações armadas nas favelas turcas, e agora, tudo isso nos conduziu até Kobane. Mas antes de tudo, nós sonhamos com isso. Se não tivéssemos sonhado e tentado pôr em prática, estaríamos apenas bebendo cerveja em um bar de Kadıköy ou Beyoğlu. Alguns de nossos camaradas permaneceram como eram.
Pergunta > Como é a proximidade do Movimento Curdo com você em Kobane?
Resposta < De alguma forma, nossa presença em Kobane mostra que a luta armada anarquista não terminou na Guerra Civil Espanhola. No início, camaradas socialistas e Apoístas (defensores de Abdullah Öcalan) ficaram surpresos de ver anarquistas usando armas por aqui. Isso é resultado e uma ideia de anarquismo que se criou na mente das pessoas. Na verdade as pessoas não sabem o que realmente é anarquismo por aqui. Conhecem o anarquismo como algo simplesmente contrário a tudo e a todos os tipos de organização. Tem uma ótima frase do Kropotkin: “Anarquia é ordem”. Estamos explicando e nos responsabilizando por isso. Apesar de que esta responsabilidade é dura de assumir, estamos tentando lidar com ela.
Pergunta > Em que momento a teoria do anarquismo ecológico e a prática em Kobane se encontram?
Resposta < Nós vivemos determinadas coisas por aqui que não conseguíamos entender senão através de cada passo no sentido da ação, ou seja, não conseguimos encontrar as respostas nos livros.
Pergunta > Como o quê?
Resposta < Estamos no meio de uma Guerra. Por exemplo, rejeitamos todo tipo de hierarquia, mas aqui, você precisa de um comandante. Você não pode entregar um walkie-talkie para todo mundo, senão ninguém poderá agir do seu próprio jeito. Talvez, a naturalidade crie suas próprias necessidades. Nós entendemos que a orientação de Malatesta e a liderança natural de Bakunin estão aqui, o que não compreendemos durante a leitura. Havia informação; nós a praticamos e obtivemos a informação novamente.
Pergunta > O que você sonhava antes de vir para Kobane, e o que você encontrou aqui?
Resposta < Eu pensei que teria problemas sobre a cadeira de comandos mas não tive. Não me confrontei com nenhum tipo de pressão ou dificuldade com o YPG e as Forças Unidas da Liberdade. Alguns de nossos camaradas talvez tenham gritado quando uma bala passava próxima de nossas cabeças em tempos estressantes de Guerra, mas é normal.
Pergunta > Nenhum problema ecológico ocorreu?
Resposta < Havia uma perspectiva de orientação como a necessidade de pessoas virem para cá preencher um vazio de consciência. Por exemplo, camaradas da Itália queriam importar agricultura orgânica mas existem pessoas por aqui que já conhecem a agricultura orgânica e a aplicam. Estão falando sobre ecologia. Um camarada espanhol insistiu em “não usar diesel para acender o fogo”. Você está num lugar onde o óleo diesel custa 7 centavos. Madeira é mais caro e você não pode encontrar madeira fácil por que o lugar é basicamente um deserto. Existem Oliveiras mas estão plantadas com a agricultura. Não pode cortá-las. Portanto, é absurdo dizer a essas pessoas “não use óleo diesel, por que você usa diesel para se aquecer?”.
Pergunta > Você nos contou mais cedo que camaradas das Forças Unidas da Liberdade pediram a amigxs socialistas não comerem carne e pedir desculpas para os animais que mataram, mas quando esgotaram-se os suprimentos, você comeu majoritariamente carne. Pode falar um pouco sobre isso?
Resposta < Muitas coisas aconteceram nas montanhas. Os suprimentos não chegaram. Nós estávamos com fome e não havia nada mais além de patos deixados para trás nos vilarejos. Quando os camaradas começaram a cortar os patos, eu disse “o que vocês estão fazendo? É assassinato!” mas o disse a parte da realidade, como uma reflexão. Coisas que fazemos apenas de acordo com a teoria colapsaram.
Pergunta > Você está lutando com socialistas no mesmo grupo. Algum tipo de discussão teórica já aconteceu entre vocês?
Resposta < Mesmo que ocorram essas discussões, são mais como brincadeira. Nunca tivemos problemas com isso. Nós e elas, estamos conscientes de que viemos aqui pela solidariedade internacional. Estamos agindo de acordo com a ética revolucionária. Dormimos lado a lado e comemos juntxs. Estamos tentando entender um ao outro. Talvez a gente precise de uma nova teoria revolucionária no século XXI, e que esta prática possa colaborar, em termos de compreendermos uns aos outros.
Pergunta > Você deve ter passado por momentos em que esteve próximo da morte. O que você pensa nestes momentos?
Resposta < Eu definitivamente tive estes momentos, mas na frente de Guerra, você pensa nxs camaradas. Talvez existam alguns momentos de medo e pânico mas quando você ouve o som de uma arma disparando, esses sentimentos vão embora. Digo, você desenvolve um reflex para se proteger e proteger xs camaradas.
Pergunta > O que é esta garrafa de Coca-Cola?
Resposta < Não toque! É uma bomba caseira.
Fonte: http://jiyan.org/2015/06/28/tuzlucayirdan-kobaneye-uzanan-bir-anarsist-savasci/
Tradução > Malobeo
Conteúdo relacionado:
http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2015/05/08/curdistao-1o-de-maio-em-kobane/
agência de notícias anarquistas-ana
Juntos,
um homem e a brisa
viram uma página
Betty Drevniok

terça-feira, 19 de maio de 2015

I FÓRUM GERAL ANARQUISTA 2015 – APRESENTAÇÃO E PROGRAMAÇÃO

Apresentação
O Fórum é aqui considerado como espaço de encontro, conversas, análises, discussões, registros, trocas, sugestões, celebrações. Notadamente, este fórum que realizaremos no Rio de Janeiro terá uma estrutura vertical e uma horizontal. Na forma vertical, uma pauta pré-definida, de convergência e atenção comuns, será pensada e debatida por todos numa Conferência de Abertura, cuja apresentação se dará por meio de mesa com conferencistas exibindo seus estudos-experiências e o público, logo em seguida, realizando considerações ou questões. Em formato misto, as Rodas de Conversas serão constituídas de duas pessoas responsáveis pela relatoria e equilíbrio entre tempo-audição enquanto todos os integrantes de cada Roda abordam temas macro (também pré-definidos) de forma horizontal. A estrutura horizontal contará com os Grupos de Discussão que poderão ser propostos pelos indivíduos e coletivos que participarão do fórum. Em cada Grupo, um de seus proponentes fará relato do que for discutido, para que no último dia de debates possamos realizar o Fórum propriamente dito, onde, com apoio e assistência de coletivos realizadores do evento, serão apresentadas as relatorias das rodas de conversa e dos grupos de discussão. Será um momento importante para propostas dos participantes e mesmo a elaboração de uma ou várias cartas sugeridas.
Ao término do evento, realizaremos a Feira da Autogestão, espaço que se destinará à apresentação de iniciativas autogestionárias e a troca de experiências entre seus idealizadores. Sendo assim, todo e qualquer indivíduo/coletivo que produz material (alimentos e bebidas, conteúdo gráfico, editoras, bazares, feiras agrícolas/orgânicas, etc) ou que incentiva/defende/pensa a autogestão pelo viés libertário terá neste espaço a oportunidade de apresentar seus trabalhos.
Objetivos
Promover o encontro dos anarquistas no Brasil que possuem inclinação federalista; trocar experiências e conhecer estudos realizados por companheiros país adentro; equalizar entendimentos; acordar e realizar ações pontuais locais e/ou gerais; pautar as questões de gênero e sexualidade no campo anarquista; analisar e discutir a conjuntura social, econômica e política brasileira e mundial (crise econômica, terrorismo de estado, perseguição política, arrocho dos trabalhadores, criminalização política e jurídica da pobreza, crise da água, segurança/auto sustentabilidade alimentar e energética, especulação imobiliária, manutenção dos latifúndios rurais, autogestão e descentralização das mídias, movimentos sociais, movimentos populares, sindicalismo, centros de cultura social); conhecer e conversar sobre o federalismo anarquista e elaborar passos efetivos para criação de uma federação ou federações regionais anarquistas.
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Conferência de Abertura – Tema: Federalismo Anarquista.
 Rodas de Conversas:
Roda 1 – Conjuntura Nacional e Internacional;
Roda 2 – Gêneros, Sexualidades e Anarquismo;
Roda 3 – Anarquismo nas regiões Brasileiras e América.
Grupos de Discussão (confirmados até o momento):
GD – Pedagogia Libertária;
GD – Privacidade Web/celular;
GD – Assembleias Populares Horizontais no Rio de Janeiro.
Lançamento de Livro
Bate-papo com Sérgio Norte, tradutor do livro “Anarquismo é Movimento – Anarquismo, Neoanarquismo e pós-anarquismo”, escrito por Tomás Ibáñez. Início previsto para 12h40, com 20 minutos de apresentação do livro e espaço aberto para diálogos com o público.
Fórum Geral – Relatorias, Documentos.
Leitura das relatorias das rodas de conversa e grupos de discussão. Encaminhamentos acerca das relatorias. Proposição de documentos, cartas sobre os temas abordados.
Feira da Autogestão
Espaço aberto à apresentação de iniciativas autogestionárias e a troca de experiências entre seus realizadores, participantes do fórum e populares.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

I Fórum Geral Anarquista 2015 no Rio de Janeiro

Acontecerá o I Fórum Geral Anarquista no Brasil na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 04 e 07 de junho de 2015.
 
A Iniciativa foi apresentada pela Liga Anarquista no Rio de Janeiro em evento anterior e contou com apoio do Instituto de Estudos Libertários (grupo dedicado ao fomento e divulgação do anarquismo nas suas diversas correntes) e Núcleo Pró-Federação Libertária de Educação (organização de libertárixs centrada nas experiências pedagógicas e práticas sociais) que atuam no Rio de Janeiro também, e foi aprovada por consenso entre os grupos presentes, além de apoiada pela Internacional de Federações Anarquistas – IFA, Federação Libertária Argentina -FLA, Federação Anarquista Francófona – FA, Federação Anarquista Alemã- FdA, Federação Anarquista do México, Federação Anarquista Local de Valdivia (Chile) – FALV, Grupo de Estudos Gomes Rojas (Chile) e todas as pessoas presentes na roda.

Ouvimos bastante sobre a organização federalista anarquista das federações e coletivos citados acima, o que nos motivou a iniciar conversas na direção do reconhecimento do movimento anarquista no país e de estudar possibilidades para sua construção.

Diante da conjuntura entre 2013 e 2015, destacamos os seguintes pontos: os levantes populares, ocupações, greves, assembleias populares horizontais, anticopa, manifestações pelo passe livre e tarifa zero em parte considerável do Brasil, eleições gerais 2014, crescimento da inflação, redução de direitos dos trabalhadores, demissões nas indústrias e serviços (atacando diretamente os terceirizados que são a parcela mais precarizada dos trabalhadores) aumento de taxas de energia e água, aumento nas tarifas de ônibus, manifestações de direita e esquerda, movimentações, projetos e discursos fascistas nas ruas, nas câmaras, congresso nacional, práticas fascistas pelo judiciário e executivo, visibilização de grupos paramilitares religiosos como de igrejas pentecostais, atuação militar oficial em chacinas nas periferias e favelas do país adentro. A LIGA convida @s companhei@s para expor suas analises, refletir sobre esta conjuntura, conversar sobre saídas propositivas para as trabalhadoras/trabalhadores e precarizadas/precarizados.

Este Fórum se propõe promover e reiniciar as conversações sobre Federalismo Anarquista no Brasil. Diante disso, a participação e apresentação do anarquismo nas cinco regiões do país darão uma imagem mais diversificada e menos imprecisa de como o anarquismo se encontra atualmente, de como podemos caminhar para atuar pontualmente ou coletivamente.
Acreditamos que a organização federalista anarquista pode contribuir potencializando os trabalhos de todos coletivos e indivíduos sejam na direção de quaisquer ações: assembleias populares horizontais, movimentos populares, movimentos sociais, movimentos sindicais, divulgação e propaganda das ideias e práticas ácratas, cooperativas autogestionárias de serviços e ou produtos, realização de artes, etc.

Consideramos outras formas de organizações anarquistas e suas atuações, respeitamos suas trajetórias e seguiremos na construção da nossa maneira de ver e viver o mundo anarquicamente, estabelecendo o diálogo quando desejável, possível e necessário. Todas as formas de organização anarquista serão bem vindas ao Fórum Geral Anarquista.

Todas aquelas e aqueles que se encontrem de acordo com estas proposições, sentimentos e objetivos são convidad@s. Cada indivíduo e coletivo virá por sua conta própria e nós ofereceremos apenas o alojamento para aqueles que realmente necessitem, ofereceremos uma lista de locais para nos alimentarmos o mais barato possível e com uma qualidade satisfatória.

Atenciosa e fraternalmente, Liga Anarquista no Rio de Janeiro.
 Rio de Janeiro – RJ, 03 de Maio de 2015.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

[NAC] (((A))) Primeiro de Maio, vamos à luta!

 https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=43k6IWg9h8M


A Internacional

De pé, ó vitimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da ideia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Senhores, patrões, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair desse antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós diz respeito!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verá que as nossas balas
São para os nossos generais!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
==========
A Internacional foi composta em 18 de Junho de 1888 por Pierre Degeyter, operário anarquista de origem belga fixado com a sua família na cidade francesa de Lille. Naquele dia fora oferecido a Degeyter um livro de poemas de Eugéne Pottier, operário francês também anarquista, membro da Comuna de Paris durante a qual foi eleito maire do 2.º Bairro de Paris. Após o sangrento esmagamento da Comuna, em cuja defesa participou, Pottier partiu para o exílio durante o qual escreveria diversos poemas, entre os quais o que viria a constituir a letra de A Internacional. É fundamentalmente a partir de 1896, após a realização do congresso do Partido Operário Francês realizado nesse ano em Lille e durante o qual foi tocado e cantado, que o hino se espalha por toda a França e pela Europa através dos delegados estrangeiros presentes.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

[Alemanha] Em Berlim, protesto contra a execução médica de Mumia Abu-Jamal‏



Cerca de 200 pessoas se reuniram na tarde do último sábado (18 de abril) no centro de Berlim para protestar contra a tortura e o tratamento inadequado que Mumia Abu-Jamal vem recebendo na prisão SCI Mahanoy, na Pensilvânia.

Com faixas e cartazes e o apoio de um carro de som, gritando palavras de ordem, os manifestantes percorreram as ruas centrais da cidade e se concentraram em frente à Embaixada dos Estados Unidos.

Milhares de folhetos em alemão e inglês contendo informações sobre o caso Mumia foram distribuídos para os transeuntes. O ato foi acompanhado por policiais do início ao fim do protesto, mas nenhum incidente foi registrado.

Vídeo:


Mumia faz aniversário

Nesta sexta-feira (24 de abril) Mumia Abu-Jamal completa 61 anos de idade, mais de 30 passados atrás das grades. Manifestações celebrando o seu aniversário acontecerão em cidades dos Estados Unidos, Distrito Federal (México), Hamburgo (Alemanha), Londres (Reino Unido), Amsterdam (Holanda), e outras mais pelo mundo.

Escreva para Mumia

Mumia Abu-Jamal
#AM 8335
SCI Mahanoy
301 Morea Estrada
Frackville, PA 17932
EUA

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Berlim: Solidariedade com detidos na Operação Piñata

Liberdade para anarquistas sequestrados no estado espanhol. 
 




Na segunda-feira, 30 de março, a repressão voltou a bater na porta de companheiros anarquistas do Estado espanhol. 15 pessoas foram detidas e foram registradas numerosas moradias e centros sociais okupados em Madri, Palencia, Barcelona e Granada. Estas detenções se produzem três meses depois da operação contra anarquistas ordenada pela Audiência Nacional, conhecida como Operação Pandora, e que acabou com 11 companheiras detidas em Barcelona e Madri, 7 das quais passaram um mês e meio em prisão preventiva antes de sair em liberdade sob fiança. Tudo isto se soma à detenção ocorrida no final de 2013 de nossos companheiros Mónica e Francisco, acusados da colocação de um artefato explosivo na Basílica do Pilar de Zaragoza, e em prisão preventiva desde então.

De novo, os detidos são acusados de pertencer a organização terrorista e ser membros do GAC (?Grupos Anarquistas Coordenados?), ademais de ?comissão de fatos delitivos consistentes em sabotagens e colocação de artefatos explosivos e incendiários?.

Este é mais um ataque do Estado contra os anarquistas, para criminalizar e acabar com a luta antiautoritária e com todas aquelas pessoas que se mantêm rebeldes ao poder e decidem atuar por uma vida livre e sem dominação.

Desde a distância nos mantemos ativas e junto a nossas companheiras. Durante a manhã de 1º de abril colocamos duas faixas em diferentes partes de Berlim como mínima mostra de solidariedade. Este tipo de golpes não nos dão medo nem nos detêm, senão que nos fazem levantar com mais força e determinação para continuar em nosso caminho até a liberdade, lutando contra todo Estado e autoridade. Animamos a todos os grupos e individualidades a solidarizar-se com todos os companheiros detidos e encarcerados em todo o globo e a estender as ideias e a ação anarquista em todas as suas formas. Porque a luta é o único caminho.

Nem culpados nem inocentes, inimigos simplesmente.

ANARQUISTAS LIBERDADE

Algumas anarquistas desde Berlim.

CMI


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Surge uma Guerrilha Anarquista em Rojava

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(Bandeira anarco-ecologista/anarco primitivista)

     Recentemente um grupo de anarco-ecologistas da Turquia e outro da Espanha, assim como anarco-ecologistas de vários lugares do mundo, conjuntamente somaram-se as Forças Unidas de Libertação (BOG)”Birleşik Özgürlük Güçleri ” de Kobane (Rojava), formando uma frente inernacionalista de combatentes anarquistas e comunistas.

         Eles fizeram um chamado não só para anarquistas de varias tendências de todo o mundo, mas também a libertários, ecologistas e anti-capitalistas, a se somarem à luta e ao apoio desta revolução social. Cada um com sua língua e cor, através da auto-organização e solidariedade, mobilizando-se em rebeldia.

A guerrilha anarquista se comprometeu em continuar apoiando a defesa de Kobane e Rojava como um todo, assim como ajudar na reconstrução da vida comunal no local recém liberado.

O teórico que deu origem ao “Confederalismo Democrático”, a proposta revolucionária sendo atualmente implantada em Rojava, foi Murray Bookchin, um famoso ambientalista bem próximo dos ideais anarquistas, que escreveu sobre o “Municipalismo Libertário”.

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(A cidade de Kobane destruida após a batalha contra o “Estado Islâmico”)
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 (Anarquistas e comunistas somando forças para uma frente internacionalista em Rojava)
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Por REDAÇÃO JBP
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Fonte: http://sosyalsavas.org/2015/02/rojava-ve-kobanedeki-yeniden-insaa-surecinde-anarsist-ve-ekolojist-gerillalar/

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O Estado é a maneira errada de fazer as coisas

Em quem você vai votar? Chegados os tempos de eleição, nos esforçamos para organizar os nossos pensamentos para explicar os motivos dessa pergunta não nos fazer o menor sentido. O nosso objetivo é simples de ser entendido, porém difícil de ser realizado. Queremos demonstrar que o Estado é a maneira errada de fazer as coisas. Para isso falaremos muito – mas não o suficiente – e, em alguns momentos, de forma um pouco chata. Se serve de desculpa, esse foi o único caminho que encontramos.
É recorrente na história que se pense que o mundo vivido é o único possível. Essa é uma noção que tem muita força atualmente: muitos sustentam não haver a possibilidade de uma transformação radical da sociedade. Claro que nos opomos a isso. Ao contrário do que ocorre com aqueles que se esforçam para legitimar as dominações, queremos refletir criticamente sobre o Estado, perceber os aspectos negativos dessa forma de nos organizarmos para que assim possamos encontrar outras realidades. Em um mundo em que as relações de opressões aparecem como naturais e eternas, a crítica coloca em movimento, estimula. Nessa disputa por uma concepção de sociedade mais livre, é central ver através da história que as formas como nos constituímos carregam certo grau de arbitrariedade. Ou seja, conhecemos suficientes maneiras de nos organizarmos para saber que nenhuma é a única possível. Podem nos chamar de ignorantes ou de ingênuos, mas esperamos sim que o(s) mundo(s) seja(m) diferente(s). Aqui negação e esperança se completam em uma dança que busca sair dos limites do tablado.
O que é o Estado?
O nosso ponto de partida é o poder. De forma resumida é possível afirmar que a unidade básica do Estado é o poder político, ou seja, a capacidade de impor coercitivamente a vontade de umas pessoas sobre a de outras. O que fundamenta o Estado é a possibilidade de uns exercerem um poder-sobre outros. É muito claro que esse poder coercitivo não faz parte da “natureza humana” pelo simples motivo de que existiram muitas sociedades que se recusaram a se organizar assim. Não sendo natural que isso ocorra, ele só pode ser entendido através das suas ocorrências. O Estado é, portanto, uma forma histórica de organização social – dentre as muitas possíveis.
Porém, o poder coercitivo não ocorre somente no Estado, portanto, precisamos de algo mais para nos referir a esse grande monstro. Não é possível igualar os dois conceitos. Para falarmos do Estado, propriamente dito, é necessário que estejamos nos deparando com estruturas específicas. A característica principal do Estado é ser uma instância separada da coletividade e o fato de ser instituído com o intuito de assegurar constantemente essa separação. A forma que assume ao realizar isso é uma estrutura burocrática e hierárquica. Como nos faz lembrar o termo burocracia, ele tende a suprimir aquilo que é proclamado como seus objetivos, ou seja, possui uma inércia e uma lógica própria que dominam as finalidades para as quais elas deveriam servir. As evidências se invertem: o que podia ser visto como um conjunto de instituições a serviço da sociedade, transforma-se numa sociedade a serviço das instituições. A polícia com seus cassetetes que gritam “ordem!” independente do quão justo é um protesto, é uma boa imagem para essa deturpação. Nesse esforço de auto-manutenção, é fundamental que seja respeitada uma estrutura de mando e de obediência que fica clara na diferença que tem entre o presidente e a faxineira servidora pública.
Nos perdoem por ainda estarmos trabalhando em termos bastante abstratos. Uma aproximação com uma teoria crítica do Estado contextualizada historicamente é possível de ser feita olhando para a relação necessária dele com o capitalismo. O Estado exerce no capitalismo o papel de garantidor da dominação de classe ao servir como agente coercitivo de manutenção do trabalho assalariado. Essa é uma longa discussão, mas, tentando tornar mais simples o complexo, podemos dizer que no capitalismo a propriedade privada é central porque possibilita a dominação daqueles que não possuem os meios de fazer as coisas. O trabalhador que não possui os meios de produzir é dominado de forma não pessoal, já que como não possui a propriedade tem que se submeter ao trabalho assalariado. A garantia dessa propriedade não é exercida pelo dominador, mas é cedida ao Estado. Focando essa explicação no que mais nos interessa, é possível afirmar que a existência do Estado como uma instância separada da sociedade depende das relações capitalistas e serve para mantê-la. Para tanto o Estado deixa sempre presente a ameaça de recorrer à violência para que a reprodução do capitalismo ocorra. Somente a ele cabe a violência legítima e essa é uma ameaça que paira sobre todos aqueles que questionam as relações de dominação.
E onde ficamos nós nessa abstração toda? Nos cabe o papel de cidadãos – mais uma abstração. Nossas particularidades, nossos jeitos, nossos cheiros são esquecidos para que o Estado consiga nos controlar com suas políticas públicas. Para eles somos números que ganham características mais definidas se tivermos dinheiro e boas relações. Um juiz não olha do mesmo jeito para o negro e para o filho do seu amigo do golfe. Para nós cabe somente o papel de votar a cada quatro anos, porque qualquer tentativa de tornar a política cotidiana pode ser considerada perigosa. Votamos e escolhemos “representantes”. Mesmo que eles quisessem não conseguiriam nos representar, pois não existe essa massa indefinida chamada “eleitores”. Existem pessoas díspares e mutáveis que ao escolher um candidato nunca poderão saber como ele irá atuar nos próximos quatro anos em questões tão variadas quanto as que um governante manda. Ou seja, a eleição é mais uma mentira para nos dar a impressão de que temos alguma escolha em um mundo baseado justamente no controle das nossas vontades.
Em busca da autonomia
Nessa configuração tão complexa o Estado se separa do social virando uma instituição que tenta monopolizar o político. Só se fala de política nas eleições e nós nos negamos a isso. Defendemos a autonomia, ou seja, que as pessoas se envolvam diretamente na organização das suas vidas cotidianas. Isso como indivíduos e como coletividades. A pessoa se forma no seu estar no mundo e nas suas interações, portanto nunca deve ser pensado isoladamente. Aqui inserimos a dimensão social da autonomia. Para a sua realização em um mundo instituído de forma a fortalecer as dominações como o nosso é importante ressaltar a capacidade instituinte das ações coletivas. As coletividades conseguem sim mudar a realidade. Detrás do que aí está e parece tão sólido, existe sempre o pulsar criativo.
É nessa potencia criadora que nos confiamos ao pensar como transformar o mundo. O que fazer para mudar o mundo? Rompê-lo de tantas formas quanto pudermos e tentar expandir e multiplicar as fissuras e promover a sua confluência; assim nos disseram e nos parece fazer sentido. Um milhão de picadas de abelhas. A emancipação depende da recusa, do desobedecer. Porém não estamos apenas nos distanciando das estruturas de poder, estamos criando novas práticas cotidianas. O Não deve ser seguido por um outro-fazer, uma outra atividade que nos torne ativos.
A construção dessas fissuras nega a ideia de pureza, ou seja, elas estão permeadas por contradições. A noção de autonomia muitas vezes defende uma externalidade radical para com o Estado e o capitalismo, porém isso é problemático por não dar conta das complexidades da nossa realidade. Cria-se dessa forma uma dicotomia entre autonomia e institucionalização que se baseia em estados ideais impossíveis de serem estabelecidos. A simples marginalização não é suficiente para mudar o mundo porque pode servir de alguma forma para as estruturas opressivas. Além disso, muitas vezes as fissuras são atividades em tempo parcial que são intercaladas com a dura necessidade de vender a força de trabalho para garantir a sobrevivência. Paradoxo? Infelizmente a vida está cheia deles. Porém, isso não significa se curvar, pois mesmo quando seja lunático continuaremos exigindo o impossível.
Sabemos que o contato com o Estado nos faz adotar certos modos de relações sociais que reforçam as características opressivas elencadas acima. As leis fazem parte da coesão social capitalista e de sua racionalidade, portanto, invariavelmente seremos considerados criminosos. Isso não nos paralisa e nem tampouco faz com que buscamos sempre realizar ações ilegais, pois sabemos que acima de tudo essa é uma questão de escolha tática.
Como já deve estar claro não se trata de conquistar o Estado nem com armas nem com votos. Não vamos cometer o mesmo erro de achar que o Estado pode ser um instrumento neutro para facilitar as transformações. Ele é a maneira errada de fazer as coisas e a boa vontade nunca conseguirá superar isso. A instrução na conquista do poder inevitavelmente se converte em uma instrução no próprio poder. Vemos cotidianamente os partidos e candidatos mais bem intencionados fazerem concessões absurdas para garantir o sucesso próprio. Esse é um caminho de difícil retorno. A centralidade do Estado na transformação faz com que se reforce cada vez mais a soberania do Estado. Um dos motivos que justifica essa defesa é que existe um grande peso das estruturas e das formas de comportamento herdadas. Outros fatores que podemos apontar são a separação dos funcionários estatais que tendem a se manter assim e as pressões para assegurar a economia – que geralmente não é considerada como deveria, ou seja, como um sistema de exploração. Não nos interessam os partidos políticos, pois a transformação através dos olhos do Estado ou de uma organização centrada no Estado só pode ser feita em nome de outros, para o “benefício das pessoas”, não uma transformação feita pelas próprias pessoas. Porém isso é uma relação em que alguns mandam e outros obedecem – justamente do que queremos nos afastar – porque agir em benefício de alguém envolve invariavelmente um grau de repressão da autonomia desses sujeitos.
Se trata, portanto, de uma transformação da vida cotidiana em um caminho que não terá fim, mas que se esforçará sempre por terminar as opressões. Essa é a única maneira de manter em uso o conceito de revolução, pois os que se centram no Estado demonstraram quão facilmente a ditadura pode esquecer do proletariado. No lugar de um grande acontecimento, pensamos em um longo processo. Ela é, portanto, uma revolução não-instrumental, não é um meio para chegar a um fim, já que todo o caminho é igualmente importante. Essa é também uma transformação sem certezas, pois não existe nada no mundo que garanta seu triunfo, ela depende de um eterno esforço dos seus sujeitos. Isso implica em uma constante auto-crítica para garantir que o caminho que está sendo construído leve realmente para mais perto da autonomia.
Terminamos agradecendo a todos aqueles que já disseram e vivenciaram antes de nós as mesmas coisas: os autonomistas, os anarquistas e, principalmente, os sem identidades de todas as partes do mundo.
E a pergunta que fica depois disso tudo é: por que continuar se contentando em votar no menos pior?
AA (Autônomos Anônimos)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Protesto ANTI-BRICS



Desde 2009 os países emergentes se reúnem à criação de um bloco econômico em contraposição ao bloco estadosunidense NAFTA, OMC e outros. Os países emergentes têm em comum dívidas com os bancos internacionais BID e FMI e os altos juros cobrados que inviabilizam o avanço em infraestrutura nesses países. É um dos principais motes para criação desse bloco econômico dos países emergentes, inclusive a questão beligerante que é utilizada como pano de fundo. Brasil e Rússia assinaram em Julho de 2014 um tratado de segurança nuclear que indica claramente a retomada da corrida armamentista global. Para fomentar e viabilizar esse bloco econômico dos países emergentes, BRICS, foi criado no encontro em Fortaleza, em julho de 2014, o Banco Internacional BRICS (BIB).

Toda essa articulação internacional dos representantes dos países emergentes, criadores do BRICS, jamais consultaram a população desses países, sobre aprovação do BRICS. Mesmo assim, bilhares de dólares serão depositados nesse novo banco advindo dos fundos dos impostos da população pobre desses países. É incomensurável a desassistência dos governos do BRICS em seus países sede à população pobre. Todos esses países tem em comum a precariedade em infra-estruturas básicas nas comunidades periféricas de trabalhadores resultante da corrupção em larga escala. Ainda, é flagrante na Rússia, China e Índia a negligência de direitos humanos à etnias que há décadas lutam por independência nesses países. São exemplos contemporâneos dessa tragédia humana a Chechênia, Tibet e Caxemira onde milhares de inocentes morrem em bombardeios realizados por esses governos.

Não é possível que a nação brasileira assista e apoie o massacre de crianças, mulheres e velhos inocentes sem que nada seja feito.

A iniciativa do Grupo de Autonomia Popular - GAP – é trazer para o centro do debate as questões relacionadas às demandas nacionais exigidas pela população nas jornadas de Junho de 2013. Naquela ocasião um grito uníssono da população nas ruas pela Tarifa Zero foi ouvido pelo país inteiro, mas passado mais de um ano e nada foi executado nessa direção até agora.
Mesmo assim, o governo ao invés de atender ao clamor das ruas desviou bilhões do BNDS para criação do fundo de reserva do BIB sem que houvesse qualquer consulta pública ou diálogo com a população. Dessa maneira despótica o BRICS tem se concretizado verticalmente nos países emergentes, calam as vozes que buscam debater não a guerra, não tensionamento internacional, não envio de dinheiro público à iniciativa privada internacional, mas, a criação de educação, saúde, moradia, lazer, transporte público de qualidade sem sobretaxamento.

Na semana de 14 a 18 de Julho de 2014, o G.A.P. organizou uma série de eventos para colocar na agenda da militância popular o debate do BRICS e a realização da reunião desse bloco em Fortaleza sem debate com a população.

Fique por dentro e ajude a construir a resistência militante contra a fuga de dinheiro do povo para iniciativa privada internacional.

Avante aos que lutam!!!

Pelo direito de ir e vir, pelo direito à cidade. Contra BRICS existir, e impor seu apartheid


domingo, 4 de maio de 2014

1º de Maio Jardim Itaqui 2014





 Neste ano, comunidade, movimentos sociais e estudantil, organizações independentes e desempregados organizaram a manifestação do primeiro de maio na vila Jardim Itaqui. Em pauta os temas que vão da moradia digna, como precariedade no atendimento do posto de saúde e do CRASS, a crescente violência policial contra moradores e a luta pela tarifa zero no transporte coletivo.

Com histórico de brava luta pela permanência das famílias na vila e contra os despejos forçados executados pelos governos via empresas extratora de areia até milícias armadas, o primeiro de Maio teve foco no resgate dessas lutas espontâneas. As comunidades Jardim Alegria, Jardim Ipê, Jardim Cruzeiro do Sul e Jardim Itaqui reviveram através de suas falas, durante a caminhada, todo passado da organização popular que venceu interesses especulativos.
"Queremos voltar a organização popular que venceu grandes interesses privados e exigir nossos direitos ainda negligenciados pelo Estado", convoca Claudia, coordenadora da Associação de Bairro do Jd. Itaqui.

A manifestação teve inicio na praça, onde posteriormente existiu a sede da Associação de Bairro do Jardim Alegria, derrubado com trator da prefeitura pelo ex-candidato a vereador Adilsson. Um café da manhã ajudou na integração entre os moradores das várias vilas que deram inicio as falas da plenária explicativa do ato.

A caminhada teve três paradas em locais emblemáticos da luta. Primeira parada foi na entrada do Jd. Alegria onde no ano de 2004 houve contenção dos moradores contra tentativa de despejo forçada pela policia. A fala foi um costura entre as várias lutas com o mesmo foco: Guerra entre as classes sociais.

Em frente ao comitê do vereador Fenemê, foi feita denúncia de vários figurões da política de São José dos Pinhais com a prática de compra de votos e desassistência sistemática das famílias pobres. É flagrante o favorecimento de políticos locais aos grandes empresários em detrimento das condições mínimas para uma vida razoável das comunidades. A frente feminista enfatizou o papel histórico crucial das mulheres na batalha entre classes, acusação da violência doméstica, descriminalização do direito ao aborto e classismo na luta contra o capital como pontos basilares do feminismo.

"A incapacidade de reação da sociedade perante ao episodio do namorado policial civil que espancou, algemou e disparou quatro tiros contra sua namorada de 23 anos, estudante de química da UFPR, demonstra claramente a necessidade instantânea de sensibilização da causa feminista classista no Brasil", protestaram Cr., 17 anos, e Walkiria, 43 anos, militantes da Frente de Ação Anarca Feminista, FAAF.

A manifestação seguiu com gritos de ordem pela criação do poder popular, pela exigência de aplicação dos recursos públicos nas vilas atingidas por todo tipo de especulação imobiliária, bem como por catástrofes ambientais e contra a realização da Copa 2014 no Brasil. A última parada relembrou a grande greve americana de 1886, que resultou no assassinato dos mártires de Chicago, também do primeiro congresso da Confederação Operária Brasileira em 1906 e das greves do final dos anos 1970, no ABC paulista, que resultaram na capitulação do sindicalismo brasileiro.

O encerramento da manifestação em frente à Escola Estadual Ipê, com a ciranda embalada pela música: "Trabalhador é especial, é socialista e luta contra o capital" teve como auge a mística proposta pelo núcleo anarquista de Curitiba (NAC), onde vários retalhos coloridos foram entrelaçados em paralelo com a Whipala, bandeira repleta de cores da comunidade indígena andina Aymará em luta. Este desfecho representa o pacto entre as organizações presentes no primeiro de Maio com as comunidades local, estadual, nacional e internacional em luta contra o capitalismo.



domingo, 16 de fevereiro de 2014

Nota de pesar pela morte de Santiago Andrade





Lamentamos muito pela morte de Santiago Andrade e por todas as outras vítimas do Estado totalitário mercantil.

Santiago era CÂMERA e não "cinegrafista" como romantiza agora a grande mídia. Ele sempre foi aquele operário invisível que produzia calado e que muitos sequer sabiam que existia. Santiago era a base de uma pirâmide hierárquica cujo topo concentra os beneficiários dos grandes blocos de comunicação do Brasil.

A meio caminho do topo desta pirâmide, um exército de repórteres precariamente remunerados precisa falar, escrever, reportar e pesquisar de forma a atender os anseios dos donos da comunicação. Para subir um degrau nesta pirâmide é preciso cuidado na fala. Trata-se de uma censura tácita que abala a credibilidade da imprensa, onde já não é mais possível distinguir a notícia real da propaganda estatal e mega-corporativa. Enfim, o corpo inerte de Santiago será usado para beneficiar exatamente os mesmos de sempre - os concentradores de informação, de renda e de poder - e a culpa será do povo, de novo...

Diante ao terrorismo do Estado Totalitário brasileiro pela falaciosa “ordem”, onde mega-corporações ditam a democracia, nós, trabalhadores servis, desempregados e solidários à classe explorada, que geramos riquezas para o país sem receber minimamente o que nos é direito, para além de falsas promessas dos burocratas do poder, não ganhamos mais que violência física e moral, cotidianamente, e vítimas brutais, como Santiago Andrade!

Assim, entendemos que o principal responsável por este acidente é o próprio Estado que nos força a deixar nossas casas e exigir nossos direitos nas ruas, e nelas enfrentar a truculência deste Estado personalizado na força policial, na qual não deveriam jamais usar armas contra a população e assim a população não precisaria reagir contra ela.

Não suportaremos mais viver nessa “terra-de-alguém”. Onde alguém rico, por de trás de instituições, gestione contra a população. Concentração de renda, carestia, precariedade nos serviços públicos, gás lacrimogênio, balas de borracha, espancamentos, prisões arbitrárias, júris comprados, mídia tendenciosa e ainda a inversão do mérito, como se nós fôssemos os assassinos premeditados.

De um lado temos populares com materiais artesanais, com pouca ou nenhuma técnica e aprimoramento, e de outro lado, velhacos oficialmente armados com material bélico, cientes do efeito das suas armas sobre a população marginalizada.

Deixemos bem claro a quem deseja nos criminalizar: a rua não se calará!

* Em solidariedade *

- Amarildo Dias de Souza – Desaparecido entre os dias 13 e 14 de julho de 2013, após a operação batizada de Paz Armada que mobilizou 300 policiais na Rocinha, RJ. http://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Amarildo


- Giuliana Vallone, de 18 anos espancada por policiais e logo após atropelada por uma motocicleta da polícia em 25/01/14, após a manifestação realizada na região central de São Paulo http://videos.r7.com/jovem-e-atropelada-e-agredida-por-policiais-em- sp/idmedia/52e8c7ea0cf2401273d29912.html



- Fabrício Proteus Nunes Fonseca Mendonça Chaves, de 22 anos, a ser ferido por dois disparos feitos por policiais militares, durante o protesto contra a Copa do Mundo que aconteceu no sábado 25/02/14. Ele foi internado em coma induzido.

http://noticias.r7.com/sao-paulo/versao-da-policia-esta-estranha-diz-advogado-sobre-caso-de-manifestante-baleado-em-sp-27012014

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