sexta-feira, 24 de abril de 2015

[Alemanha] Em Berlim, protesto contra a execução médica de Mumia Abu-Jamal‏



Cerca de 200 pessoas se reuniram na tarde do último sábado (18 de abril) no centro de Berlim para protestar contra a tortura e o tratamento inadequado que Mumia Abu-Jamal vem recebendo na prisão SCI Mahanoy, na Pensilvânia.

Com faixas e cartazes e o apoio de um carro de som, gritando palavras de ordem, os manifestantes percorreram as ruas centrais da cidade e se concentraram em frente à Embaixada dos Estados Unidos.

Milhares de folhetos em alemão e inglês contendo informações sobre o caso Mumia foram distribuídos para os transeuntes. O ato foi acompanhado por policiais do início ao fim do protesto, mas nenhum incidente foi registrado.

Vídeo:


Mumia faz aniversário

Nesta sexta-feira (24 de abril) Mumia Abu-Jamal completa 61 anos de idade, mais de 30 passados atrás das grades. Manifestações celebrando o seu aniversário acontecerão em cidades dos Estados Unidos, Distrito Federal (México), Hamburgo (Alemanha), Londres (Reino Unido), Amsterdam (Holanda), e outras mais pelo mundo.

Escreva para Mumia

Mumia Abu-Jamal
#AM 8335
SCI Mahanoy
301 Morea Estrada
Frackville, PA 17932
EUA

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Berlim: Solidariedade com detidos na Operação Piñata

Liberdade para anarquistas sequestrados no estado espanhol. 
 




Na segunda-feira, 30 de março, a repressão voltou a bater na porta de companheiros anarquistas do Estado espanhol. 15 pessoas foram detidas e foram registradas numerosas moradias e centros sociais okupados em Madri, Palencia, Barcelona e Granada. Estas detenções se produzem três meses depois da operação contra anarquistas ordenada pela Audiência Nacional, conhecida como Operação Pandora, e que acabou com 11 companheiras detidas em Barcelona e Madri, 7 das quais passaram um mês e meio em prisão preventiva antes de sair em liberdade sob fiança. Tudo isto se soma à detenção ocorrida no final de 2013 de nossos companheiros Mónica e Francisco, acusados da colocação de um artefato explosivo na Basílica do Pilar de Zaragoza, e em prisão preventiva desde então.

De novo, os detidos são acusados de pertencer a organização terrorista e ser membros do GAC (?Grupos Anarquistas Coordenados?), ademais de ?comissão de fatos delitivos consistentes em sabotagens e colocação de artefatos explosivos e incendiários?.

Este é mais um ataque do Estado contra os anarquistas, para criminalizar e acabar com a luta antiautoritária e com todas aquelas pessoas que se mantêm rebeldes ao poder e decidem atuar por uma vida livre e sem dominação.

Desde a distância nos mantemos ativas e junto a nossas companheiras. Durante a manhã de 1º de abril colocamos duas faixas em diferentes partes de Berlim como mínima mostra de solidariedade. Este tipo de golpes não nos dão medo nem nos detêm, senão que nos fazem levantar com mais força e determinação para continuar em nosso caminho até a liberdade, lutando contra todo Estado e autoridade. Animamos a todos os grupos e individualidades a solidarizar-se com todos os companheiros detidos e encarcerados em todo o globo e a estender as ideias e a ação anarquista em todas as suas formas. Porque a luta é o único caminho.

Nem culpados nem inocentes, inimigos simplesmente.

ANARQUISTAS LIBERDADE

Algumas anarquistas desde Berlim.

CMI


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Surge uma Guerrilha Anarquista em Rojava

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(Bandeira anarco-ecologista/anarco primitivista)

     Recentemente um grupo de anarco-ecologistas da Turquia e outro da Espanha, assim como anarco-ecologistas de vários lugares do mundo, conjuntamente somaram-se as Forças Unidas de Libertação (BOG)”Birleşik Özgürlük Güçleri ” de Kobane (Rojava), formando uma frente inernacionalista de combatentes anarquistas e comunistas.

         Eles fizeram um chamado não só para anarquistas de varias tendências de todo o mundo, mas também a libertários, ecologistas e anti-capitalistas, a se somarem à luta e ao apoio desta revolução social. Cada um com sua língua e cor, através da auto-organização e solidariedade, mobilizando-se em rebeldia.

A guerrilha anarquista se comprometeu em continuar apoiando a defesa de Kobane e Rojava como um todo, assim como ajudar na reconstrução da vida comunal no local recém liberado.

O teórico que deu origem ao “Confederalismo Democrático”, a proposta revolucionária sendo atualmente implantada em Rojava, foi Murray Bookchin, um famoso ambientalista bem próximo dos ideais anarquistas, que escreveu sobre o “Municipalismo Libertário”.

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(A cidade de Kobane destruida após a batalha contra o “Estado Islâmico”)
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 (Anarquistas e comunistas somando forças para uma frente internacionalista em Rojava)
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Por REDAÇÃO JBP
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Fonte: http://sosyalsavas.org/2015/02/rojava-ve-kobanedeki-yeniden-insaa-surecinde-anarsist-ve-ekolojist-gerillalar/

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O Estado é a maneira errada de fazer as coisas

Em quem você vai votar? Chegados os tempos de eleição, nos esforçamos para organizar os nossos pensamentos para explicar os motivos dessa pergunta não nos fazer o menor sentido. O nosso objetivo é simples de ser entendido, porém difícil de ser realizado. Queremos demonstrar que o Estado é a maneira errada de fazer as coisas. Para isso falaremos muito – mas não o suficiente – e, em alguns momentos, de forma um pouco chata. Se serve de desculpa, esse foi o único caminho que encontramos.
É recorrente na história que se pense que o mundo vivido é o único possível. Essa é uma noção que tem muita força atualmente: muitos sustentam não haver a possibilidade de uma transformação radical da sociedade. Claro que nos opomos a isso. Ao contrário do que ocorre com aqueles que se esforçam para legitimar as dominações, queremos refletir criticamente sobre o Estado, perceber os aspectos negativos dessa forma de nos organizarmos para que assim possamos encontrar outras realidades. Em um mundo em que as relações de opressões aparecem como naturais e eternas, a crítica coloca em movimento, estimula. Nessa disputa por uma concepção de sociedade mais livre, é central ver através da história que as formas como nos constituímos carregam certo grau de arbitrariedade. Ou seja, conhecemos suficientes maneiras de nos organizarmos para saber que nenhuma é a única possível. Podem nos chamar de ignorantes ou de ingênuos, mas esperamos sim que o(s) mundo(s) seja(m) diferente(s). Aqui negação e esperança se completam em uma dança que busca sair dos limites do tablado.
O que é o Estado?
O nosso ponto de partida é o poder. De forma resumida é possível afirmar que a unidade básica do Estado é o poder político, ou seja, a capacidade de impor coercitivamente a vontade de umas pessoas sobre a de outras. O que fundamenta o Estado é a possibilidade de uns exercerem um poder-sobre outros. É muito claro que esse poder coercitivo não faz parte da “natureza humana” pelo simples motivo de que existiram muitas sociedades que se recusaram a se organizar assim. Não sendo natural que isso ocorra, ele só pode ser entendido através das suas ocorrências. O Estado é, portanto, uma forma histórica de organização social – dentre as muitas possíveis.
Porém, o poder coercitivo não ocorre somente no Estado, portanto, precisamos de algo mais para nos referir a esse grande monstro. Não é possível igualar os dois conceitos. Para falarmos do Estado, propriamente dito, é necessário que estejamos nos deparando com estruturas específicas. A característica principal do Estado é ser uma instância separada da coletividade e o fato de ser instituído com o intuito de assegurar constantemente essa separação. A forma que assume ao realizar isso é uma estrutura burocrática e hierárquica. Como nos faz lembrar o termo burocracia, ele tende a suprimir aquilo que é proclamado como seus objetivos, ou seja, possui uma inércia e uma lógica própria que dominam as finalidades para as quais elas deveriam servir. As evidências se invertem: o que podia ser visto como um conjunto de instituições a serviço da sociedade, transforma-se numa sociedade a serviço das instituições. A polícia com seus cassetetes que gritam “ordem!” independente do quão justo é um protesto, é uma boa imagem para essa deturpação. Nesse esforço de auto-manutenção, é fundamental que seja respeitada uma estrutura de mando e de obediência que fica clara na diferença que tem entre o presidente e a faxineira servidora pública.
Nos perdoem por ainda estarmos trabalhando em termos bastante abstratos. Uma aproximação com uma teoria crítica do Estado contextualizada historicamente é possível de ser feita olhando para a relação necessária dele com o capitalismo. O Estado exerce no capitalismo o papel de garantidor da dominação de classe ao servir como agente coercitivo de manutenção do trabalho assalariado. Essa é uma longa discussão, mas, tentando tornar mais simples o complexo, podemos dizer que no capitalismo a propriedade privada é central porque possibilita a dominação daqueles que não possuem os meios de fazer as coisas. O trabalhador que não possui os meios de produzir é dominado de forma não pessoal, já que como não possui a propriedade tem que se submeter ao trabalho assalariado. A garantia dessa propriedade não é exercida pelo dominador, mas é cedida ao Estado. Focando essa explicação no que mais nos interessa, é possível afirmar que a existência do Estado como uma instância separada da sociedade depende das relações capitalistas e serve para mantê-la. Para tanto o Estado deixa sempre presente a ameaça de recorrer à violência para que a reprodução do capitalismo ocorra. Somente a ele cabe a violência legítima e essa é uma ameaça que paira sobre todos aqueles que questionam as relações de dominação.
E onde ficamos nós nessa abstração toda? Nos cabe o papel de cidadãos – mais uma abstração. Nossas particularidades, nossos jeitos, nossos cheiros são esquecidos para que o Estado consiga nos controlar com suas políticas públicas. Para eles somos números que ganham características mais definidas se tivermos dinheiro e boas relações. Um juiz não olha do mesmo jeito para o negro e para o filho do seu amigo do golfe. Para nós cabe somente o papel de votar a cada quatro anos, porque qualquer tentativa de tornar a política cotidiana pode ser considerada perigosa. Votamos e escolhemos “representantes”. Mesmo que eles quisessem não conseguiriam nos representar, pois não existe essa massa indefinida chamada “eleitores”. Existem pessoas díspares e mutáveis que ao escolher um candidato nunca poderão saber como ele irá atuar nos próximos quatro anos em questões tão variadas quanto as que um governante manda. Ou seja, a eleição é mais uma mentira para nos dar a impressão de que temos alguma escolha em um mundo baseado justamente no controle das nossas vontades.
Em busca da autonomia
Nessa configuração tão complexa o Estado se separa do social virando uma instituição que tenta monopolizar o político. Só se fala de política nas eleições e nós nos negamos a isso. Defendemos a autonomia, ou seja, que as pessoas se envolvam diretamente na organização das suas vidas cotidianas. Isso como indivíduos e como coletividades. A pessoa se forma no seu estar no mundo e nas suas interações, portanto nunca deve ser pensado isoladamente. Aqui inserimos a dimensão social da autonomia. Para a sua realização em um mundo instituído de forma a fortalecer as dominações como o nosso é importante ressaltar a capacidade instituinte das ações coletivas. As coletividades conseguem sim mudar a realidade. Detrás do que aí está e parece tão sólido, existe sempre o pulsar criativo.
É nessa potencia criadora que nos confiamos ao pensar como transformar o mundo. O que fazer para mudar o mundo? Rompê-lo de tantas formas quanto pudermos e tentar expandir e multiplicar as fissuras e promover a sua confluência; assim nos disseram e nos parece fazer sentido. Um milhão de picadas de abelhas. A emancipação depende da recusa, do desobedecer. Porém não estamos apenas nos distanciando das estruturas de poder, estamos criando novas práticas cotidianas. O Não deve ser seguido por um outro-fazer, uma outra atividade que nos torne ativos.
A construção dessas fissuras nega a ideia de pureza, ou seja, elas estão permeadas por contradições. A noção de autonomia muitas vezes defende uma externalidade radical para com o Estado e o capitalismo, porém isso é problemático por não dar conta das complexidades da nossa realidade. Cria-se dessa forma uma dicotomia entre autonomia e institucionalização que se baseia em estados ideais impossíveis de serem estabelecidos. A simples marginalização não é suficiente para mudar o mundo porque pode servir de alguma forma para as estruturas opressivas. Além disso, muitas vezes as fissuras são atividades em tempo parcial que são intercaladas com a dura necessidade de vender a força de trabalho para garantir a sobrevivência. Paradoxo? Infelizmente a vida está cheia deles. Porém, isso não significa se curvar, pois mesmo quando seja lunático continuaremos exigindo o impossível.
Sabemos que o contato com o Estado nos faz adotar certos modos de relações sociais que reforçam as características opressivas elencadas acima. As leis fazem parte da coesão social capitalista e de sua racionalidade, portanto, invariavelmente seremos considerados criminosos. Isso não nos paralisa e nem tampouco faz com que buscamos sempre realizar ações ilegais, pois sabemos que acima de tudo essa é uma questão de escolha tática.
Como já deve estar claro não se trata de conquistar o Estado nem com armas nem com votos. Não vamos cometer o mesmo erro de achar que o Estado pode ser um instrumento neutro para facilitar as transformações. Ele é a maneira errada de fazer as coisas e a boa vontade nunca conseguirá superar isso. A instrução na conquista do poder inevitavelmente se converte em uma instrução no próprio poder. Vemos cotidianamente os partidos e candidatos mais bem intencionados fazerem concessões absurdas para garantir o sucesso próprio. Esse é um caminho de difícil retorno. A centralidade do Estado na transformação faz com que se reforce cada vez mais a soberania do Estado. Um dos motivos que justifica essa defesa é que existe um grande peso das estruturas e das formas de comportamento herdadas. Outros fatores que podemos apontar são a separação dos funcionários estatais que tendem a se manter assim e as pressões para assegurar a economia – que geralmente não é considerada como deveria, ou seja, como um sistema de exploração. Não nos interessam os partidos políticos, pois a transformação através dos olhos do Estado ou de uma organização centrada no Estado só pode ser feita em nome de outros, para o “benefício das pessoas”, não uma transformação feita pelas próprias pessoas. Porém isso é uma relação em que alguns mandam e outros obedecem – justamente do que queremos nos afastar – porque agir em benefício de alguém envolve invariavelmente um grau de repressão da autonomia desses sujeitos.
Se trata, portanto, de uma transformação da vida cotidiana em um caminho que não terá fim, mas que se esforçará sempre por terminar as opressões. Essa é a única maneira de manter em uso o conceito de revolução, pois os que se centram no Estado demonstraram quão facilmente a ditadura pode esquecer do proletariado. No lugar de um grande acontecimento, pensamos em um longo processo. Ela é, portanto, uma revolução não-instrumental, não é um meio para chegar a um fim, já que todo o caminho é igualmente importante. Essa é também uma transformação sem certezas, pois não existe nada no mundo que garanta seu triunfo, ela depende de um eterno esforço dos seus sujeitos. Isso implica em uma constante auto-crítica para garantir que o caminho que está sendo construído leve realmente para mais perto da autonomia.
Terminamos agradecendo a todos aqueles que já disseram e vivenciaram antes de nós as mesmas coisas: os autonomistas, os anarquistas e, principalmente, os sem identidades de todas as partes do mundo.
E a pergunta que fica depois disso tudo é: por que continuar se contentando em votar no menos pior?
AA (Autônomos Anônimos)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Protesto ANTI-BRICS



Desde 2009 os países emergentes se reúnem à criação de um bloco econômico em contraposição ao bloco estadosunidense NAFTA, OMC e outros. Os países emergentes têm em comum dívidas com os bancos internacionais BID e FMI e os altos juros cobrados que inviabilizam o avanço em infraestrutura nesses países. É um dos principais motes para criação desse bloco econômico dos países emergentes, inclusive a questão beligerante que é utilizada como pano de fundo. Brasil e Rússia assinaram em Julho de 2014 um tratado de segurança nuclear que indica claramente a retomada da corrida armamentista global. Para fomentar e viabilizar esse bloco econômico dos países emergentes, BRICS, foi criado no encontro em Fortaleza, em julho de 2014, o Banco Internacional BRICS (BIB).

Toda essa articulação internacional dos representantes dos países emergentes, criadores do BRICS, jamais consultaram a população desses países, sobre aprovação do BRICS. Mesmo assim, bilhares de dólares serão depositados nesse novo banco advindo dos fundos dos impostos da população pobre desses países. É incomensurável a desassistência dos governos do BRICS em seus países sede à população pobre. Todos esses países tem em comum a precariedade em infra-estruturas básicas nas comunidades periféricas de trabalhadores resultante da corrupção em larga escala. Ainda, é flagrante na Rússia, China e Índia a negligência de direitos humanos à etnias que há décadas lutam por independência nesses países. São exemplos contemporâneos dessa tragédia humana a Chechênia, Tibet e Caxemira onde milhares de inocentes morrem em bombardeios realizados por esses governos.

Não é possível que a nação brasileira assista e apoie o massacre de crianças, mulheres e velhos inocentes sem que nada seja feito.

A iniciativa do Grupo de Autonomia Popular - GAP – é trazer para o centro do debate as questões relacionadas às demandas nacionais exigidas pela população nas jornadas de Junho de 2013. Naquela ocasião um grito uníssono da população nas ruas pela Tarifa Zero foi ouvido pelo país inteiro, mas passado mais de um ano e nada foi executado nessa direção até agora.
Mesmo assim, o governo ao invés de atender ao clamor das ruas desviou bilhões do BNDS para criação do fundo de reserva do BIB sem que houvesse qualquer consulta pública ou diálogo com a população. Dessa maneira despótica o BRICS tem se concretizado verticalmente nos países emergentes, calam as vozes que buscam debater não a guerra, não tensionamento internacional, não envio de dinheiro público à iniciativa privada internacional, mas, a criação de educação, saúde, moradia, lazer, transporte público de qualidade sem sobretaxamento.

Na semana de 14 a 18 de Julho de 2014, o G.A.P. organizou uma série de eventos para colocar na agenda da militância popular o debate do BRICS e a realização da reunião desse bloco em Fortaleza sem debate com a população.

Fique por dentro e ajude a construir a resistência militante contra a fuga de dinheiro do povo para iniciativa privada internacional.

Avante aos que lutam!!!

Pelo direito de ir e vir, pelo direito à cidade. Contra BRICS existir, e impor seu apartheid


domingo, 4 de maio de 2014

1º de Maio Jardim Itaqui 2014





 Neste ano, comunidade, movimentos sociais e estudantil, organizações independentes e desempregados organizaram a manifestação do primeiro de maio na vila Jardim Itaqui. Em pauta os temas que vão da moradia digna, como precariedade no atendimento do posto de saúde e do CRASS, a crescente violência policial contra moradores e a luta pela tarifa zero no transporte coletivo.

Com histórico de brava luta pela permanência das famílias na vila e contra os despejos forçados executados pelos governos via empresas extratora de areia até milícias armadas, o primeiro de Maio teve foco no resgate dessas lutas espontâneas. As comunidades Jardim Alegria, Jardim Ipê, Jardim Cruzeiro do Sul e Jardim Itaqui reviveram através de suas falas, durante a caminhada, todo passado da organização popular que venceu interesses especulativos.
"Queremos voltar a organização popular que venceu grandes interesses privados e exigir nossos direitos ainda negligenciados pelo Estado", convoca Claudia, coordenadora da Associação de Bairro do Jd. Itaqui.

A manifestação teve inicio na praça, onde posteriormente existiu a sede da Associação de Bairro do Jardim Alegria, derrubado com trator da prefeitura pelo ex-candidato a vereador Adilsson. Um café da manhã ajudou na integração entre os moradores das várias vilas que deram inicio as falas da plenária explicativa do ato.

A caminhada teve três paradas em locais emblemáticos da luta. Primeira parada foi na entrada do Jd. Alegria onde no ano de 2004 houve contenção dos moradores contra tentativa de despejo forçada pela policia. A fala foi um costura entre as várias lutas com o mesmo foco: Guerra entre as classes sociais.

Em frente ao comitê do vereador Fenemê, foi feita denúncia de vários figurões da política de São José dos Pinhais com a prática de compra de votos e desassistência sistemática das famílias pobres. É flagrante o favorecimento de políticos locais aos grandes empresários em detrimento das condições mínimas para uma vida razoável das comunidades. A frente feminista enfatizou o papel histórico crucial das mulheres na batalha entre classes, acusação da violência doméstica, descriminalização do direito ao aborto e classismo na luta contra o capital como pontos basilares do feminismo.

"A incapacidade de reação da sociedade perante ao episodio do namorado policial civil que espancou, algemou e disparou quatro tiros contra sua namorada de 23 anos, estudante de química da UFPR, demonstra claramente a necessidade instantânea de sensibilização da causa feminista classista no Brasil", protestaram Cr., 17 anos, e Walkiria, 43 anos, militantes da Frente de Ação Anarca Feminista, FAAF.

A manifestação seguiu com gritos de ordem pela criação do poder popular, pela exigência de aplicação dos recursos públicos nas vilas atingidas por todo tipo de especulação imobiliária, bem como por catástrofes ambientais e contra a realização da Copa 2014 no Brasil. A última parada relembrou a grande greve americana de 1886, que resultou no assassinato dos mártires de Chicago, também do primeiro congresso da Confederação Operária Brasileira em 1906 e das greves do final dos anos 1970, no ABC paulista, que resultaram na capitulação do sindicalismo brasileiro.

O encerramento da manifestação em frente à Escola Estadual Ipê, com a ciranda embalada pela música: "Trabalhador é especial, é socialista e luta contra o capital" teve como auge a mística proposta pelo núcleo anarquista de Curitiba (NAC), onde vários retalhos coloridos foram entrelaçados em paralelo com a Whipala, bandeira repleta de cores da comunidade indígena andina Aymará em luta. Este desfecho representa o pacto entre as organizações presentes no primeiro de Maio com as comunidades local, estadual, nacional e internacional em luta contra o capitalismo.